sexta-feira, 7 de maio de 2010

3D

Já lá vai tanto tempo que, ao contá-lo, me surpreendi com a inevitabilidade de ter vivido mais tempo no século passado do que o que terei para viver no presente século. Mesmo que eu viva vinte lustros, como espero!

Aí por 1956, penso, naquela que, então, Lourenço Marques se chamava (tributária, todavia e já, do rio Maputo) aconteceu (saber-se) que uma ardente tombazana (nome que às europeias não era dado, mas esta era europeia e tal lhe chamo) de 15 anos - terá hoje a decantada idade de 69 - apareceu aos conturbados pais pletórica de gravidez. Quem foi e como foi, urgente era que se soubesse. Mas a imperturbável tombazana dizia não saber e mais do que ignorante se mostrava mil vezes inocente: só se foi o condutor do machimbombo - é que ele olha muito para mim...

Pois, mudados os tempos e as capacidades de engendrar vidas, corre por aí a notícia, com sombra de majestáticos enfeites, a envolver um pobre militar americano lá pelos afeganistões e sua saudosa wife que na ausência prolongada dele se dedicou a ver filmes (confessadamente pornográficos e confessadamente em companhia de dois amigos). Nada do outro mundo, poderão dizer-me.

Mas não é que a bem aventurada engravidou só de ver as cenas e que a criança veio ao mundo com as feições do principal actor de um dos filmes?!

Tranquilize-se o marido: a gravidez só aconteceu porque o filme era em 3D! Admirável Mundo Novo - Brave New World, Senhor Huxley.

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